sábado, 15 de janeiro de 2011

Cartas que valem mais que qualquer palavra dita

Hoje apeteceu-me abrir um pequeno baú onde guardo as minhas recordações de sempre.
Volta e meia sinto necessidade de o fazer. Está cheio de energias que me alimentam, através das cartas, postais, mimos, repletos de palavras daquelas que se registam num papel e que ficam para sempre.
Hoje procurava por um envelope, já amarelecido, cuja letra redonda de menina doce, leva-me sempre a lembrar, aquela que viria ser a minha melhor amiga.
Ao abri-lo, revi uma carta, escrita por ela, a 27 de Janeiro de 1990, às 23h05, com um texto de Ehrman Werner (julgo ser assim), texto este que a acompanhava nas alturas menos boas da vida e, como minha amiga que era já na altura, quis partilha-lo comigo.
Dizia ainda na carta que eu, mesmo sem saber, seguia já os passos descritos pelo autor.
Eu não sei se os seguia. Talvez a amizade que sentia por mim a fizesse ver-me com uns olhos diferentes e grandiosos.
Sei sim, que muitas e muitas vezes li aquele texto e tentei segui-lo.
Não foi fácil, não é fácil … faz muito tempo que não me lembrava sequer dele.
Hoje mais uma vez senti necessidade de relê-lo.
Para além disso, senti necessidade de partilha-lo convosco:

“Vai serenamente por entre a agitação e a pressa
e lembra-te da paz, que pode haver no silêncio;
Sem te baixares, mantém-te tanto quanto possível
em boas relações com todos;
Diz a tua verdade, serena e calmamente e escuta com atenção os outros,
mesmo que menos dotados ou ignorantes. Também eles têm a sua história;
Evita as pessoas barulhentas e agressivas, são mortificações para o espírito;
Se te comparas com os outros podes tornar-te presunçoso e amargo,
porque haverá sempre pessoas superiores ou inferiores a ti.
Alegra-te com as tuas realizações tanto com os teus projectos;
põe todo o interesse na tua carreira, ainda que ela seja humilde,
é um bem real nos destinos mutáveis do tempo;
Usa de prudência nos teus negócios, porque o mundo está cheio de astúcia,
mas que isto não te cegue a ponto de não veres a virtude onde ela existe;
Muitas pessoas lutam por altos ideais e em todo o lado a vida está cheia de heroísmo.
Sê tu mesmo!
Sobretudo, não simules afeição, não sejas cínico em relação ao amor,
porque em face da aridez e do desencanto ele é perene como a relva;
Acolhe carinhosamente o conselho dos anos,
alargando com graciosidade as coisas da juventude.
Educa a fortaleza de espírito, para que te salvaguardes numa inesperada desdita,
mas não te atormentes com fantasias. Muitos medos surgem da fadiga e da solidão.
Para além da disciplina são, sê gentil contigo mesmo.
Tu és um filho do universo e tal como as coisas e as estrelas, tens direito de o habitares.
Portanto, vive em paz com Deus, seja qual for a ideia que dele tiveres
e quaisquer que sejam as tuas lutas e privações, a ruidosa confusão da vida.
Guarda a paz contigo mesmo.
Com toda a sua falsidade, escravidão e sonhos desfeitos,
o mundo ainda é maravilhoso.
Luta para seres feliz! ”

A vida é um corre, corre que nem sempre permite que estejamos juntas.
Mas é claro que estás sempre no meu coração e, mesmo sem falarmos nas alturas difíceis, a tua carta vale mais que qualquer palavra dita.
Um grande, grande beijo amiga de e para sempre.
Afinal, após tantos anos ... quem sempre seguiu grande parte destes caminhos foste tu amiga (sei disto e estou de olhos fechados!).

Ah! Desculpem, para vocês que não sabem, esta amiga do coração chama-se Julieta J

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