Avançar para o conteúdo principal

Cartas que valem mais que qualquer palavra dita

Hoje apeteceu-me abrir um pequeno baú onde guardo as minhas recordações de sempre.
Volta e meia sinto necessidade de o fazer. Está cheio de energias que me alimentam, através das cartas, postais, mimos, repletos de palavras daquelas que se registam num papel e que ficam para sempre.
Hoje procurava por um envelope, já amarelecido, cuja letra redonda de menina doce, leva-me sempre a lembrar, aquela que viria ser a minha melhor amiga.
Ao abri-lo, revi uma carta, escrita por ela, a 27 de Janeiro de 1990, às 23h05, com um texto de Ehrman Werner (julgo ser assim), texto este que a acompanhava nas alturas menos boas da vida e, como minha amiga que era já na altura, quis partilha-lo comigo.
Dizia ainda na carta que eu, mesmo sem saber, seguia já os passos descritos pelo autor.
Eu não sei se os seguia. Talvez a amizade que sentia por mim a fizesse ver-me com uns olhos diferentes e grandiosos.
Sei sim, que muitas e muitas vezes li aquele texto e tentei segui-lo.
Não foi fácil, não é fácil … faz muito tempo que não me lembrava sequer dele.
Hoje mais uma vez senti necessidade de relê-lo.
Para além disso, senti necessidade de partilha-lo convosco:

“Vai serenamente por entre a agitação e a pressa
e lembra-te da paz, que pode haver no silêncio;
Sem te baixares, mantém-te tanto quanto possível
em boas relações com todos;
Diz a tua verdade, serena e calmamente e escuta com atenção os outros,
mesmo que menos dotados ou ignorantes. Também eles têm a sua história;
Evita as pessoas barulhentas e agressivas, são mortificações para o espírito;
Se te comparas com os outros podes tornar-te presunçoso e amargo,
porque haverá sempre pessoas superiores ou inferiores a ti.
Alegra-te com as tuas realizações tanto com os teus projectos;
põe todo o interesse na tua carreira, ainda que ela seja humilde,
é um bem real nos destinos mutáveis do tempo;
Usa de prudência nos teus negócios, porque o mundo está cheio de astúcia,
mas que isto não te cegue a ponto de não veres a virtude onde ela existe;
Muitas pessoas lutam por altos ideais e em todo o lado a vida está cheia de heroísmo.
Sê tu mesmo!
Sobretudo, não simules afeição, não sejas cínico em relação ao amor,
porque em face da aridez e do desencanto ele é perene como a relva;
Acolhe carinhosamente o conselho dos anos,
alargando com graciosidade as coisas da juventude.
Educa a fortaleza de espírito, para que te salvaguardes numa inesperada desdita,
mas não te atormentes com fantasias. Muitos medos surgem da fadiga e da solidão.
Para além da disciplina são, sê gentil contigo mesmo.
Tu és um filho do universo e tal como as coisas e as estrelas, tens direito de o habitares.
Portanto, vive em paz com Deus, seja qual for a ideia que dele tiveres
e quaisquer que sejam as tuas lutas e privações, a ruidosa confusão da vida.
Guarda a paz contigo mesmo.
Com toda a sua falsidade, escravidão e sonhos desfeitos,
o mundo ainda é maravilhoso.
Luta para seres feliz! ”

A vida é um corre, corre que nem sempre permite que estejamos juntas.
Mas é claro que estás sempre no meu coração e, mesmo sem falarmos nas alturas difíceis, a tua carta vale mais que qualquer palavra dita.
Um grande, grande beijo amiga de e para sempre.
Afinal, após tantos anos ... quem sempre seguiu grande parte destes caminhos foste tu amiga (sei disto e estou de olhos fechados!).

Ah! Desculpem, para vocês que não sabem, esta amiga do coração chama-se Julieta J

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Reflexão da manhã

Hoje li um texto onde é referido que um bom copo de vinho pode ser um aliado quando algo corre mal. Uma forma de escape. Quando algo me incomoda, de alguma forma me deixa triste ou sem chão, dou por mim a por os phones para ouvir uma música que me tranquilize naquele momento. Nem sempre tenho um copo à disposição :)  É preciso descobrir o que nos ajuda a vir à tona. E a ti? O que te conforta? Bom dia! Ana Paula Ribeiro

Nomes que ficam no coração...

Sinto necessidade de escrever, de que fique algures registado o que sinto... porque o meu respeito por este momento é tão grande, quanto o amor que senti por estas três pessoas que sei, me amaram também. Afinal, todo o caminho que percorremos é a nossa história. E eu, menina de 17 anos, cresci com elas. Hoje é um dia especial. Um marco de reviravolta na minha vida. É incrível como uns simples rabiscos podem transformar a tua vida. Uns rabiscos e o teu nome muda. Ou melhor, volta às origens. Tenho muito orgulho no meu “Ribeiro” e estou feliz por efetivamente “o ter de volta”. No entanto, não posso deixar de sentir uma estranheza… foram mais de 20 anos a ser chamada de Castro. Castro Castrinho Castra Castrinha Sim, eu sei … o nome não nos faz. As atitudes essas, sim. Mas sinto uma estranheza… uma estranheza feliz! Hoje é um dia especial. Um ponto final na minha história com uma dessas pessoas. História que me fez a Paula de hoje. Quanto às outras duas pessoa...

Nunca me identifiquei tanto com um texto...

...e acrescento, sem nunca pensar vir a dizer isto: obrigada por me teres deixado... “É claro que senti saudades tuas. Sentia saudades tuas quando acordava e troquei muitas horas de sono por uma perseguição infernal às tuas redes sociais, só para te ver e saber que estavas bem. É claro que sentia amor enquanto chorava agarrada à almofada e procurava maneiras de te fazer voltar à minha vida. É claro que senti que ia morrer. E morri. Morri no dia em que me deixaste. (…) Deixei-me cair, não tive forças para te seguir. (…) Deixaste-me presa num buraco do qual não conseguia sair, sabes? (…)  É claro que a tua ausência me doía todos os dias (…). Como conseguiste seguir a tua vida se eu não conseguia sequer seguir a minha respiração? (…) Vivi para ti e para as saudades que sentia, vivia para ti e para a dor que sentia. (…). Vivi para ti até que percebi que não havia ninguém a viver por mim. Decidi ser feliz, e sou. Achas que não custou o percurso até aqui? ...