terça-feira, 8 de agosto de 2017

E sim, vale MUITO e TANTO a pena!

Nem sempre o muito quer dizer tanto. Ou o tanto revela felicidade.

Muitas pessoas à volta.
Tanta solidão.

Às vezes descobre-se tarde esta ironia de palavras e sentires.
Quando já aquele pelo branco teima em sobressair do meio das tuas sobrancelhas, e tu sentes-te incapaz de lutar contra ele e virar-lhe as costas.

No fim … acredito que seja quando tem que ser...
Quando te sentes preparado.
Quando estás de peito aberto para receberes o melhor que a vida tem para te dar.
E dás importância ao que te faz bem.

E sim, vale MUITO e TANTO a pena!

Partilho hoje este pensamento porque li algures que a maioria das pessoas morre sem estar ninguém por perto.

Não é isso o que mais importa.

O mais importante é apercebermo-nos se efetivamente vivemos estando acompanhadas.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Passageiros que nos fazem falta

Hoje vim durante a viagem no metro sem dar pelas pessoas à volta, sem observar as histórias que contam os seus olhos.

Vieram os meus a contar várias com certeza, entre uma lágrima ou outra que caiu, sem que eu conseguisse conter.

Ainda estou a recuperar de um misto de emoções que ontem vieram fazer-me uma visita e que teimam em instalar-se ainda por cá e me levam a escrever esta nota.

Partilhei emoções com alguém que perdeu a sua mãe e que por vários motivos me recordaram pessoas que foram minhas pessoas e que perdi há anos.

Não é fácil gerir o fim da viagem daqueles que aprendemos a amar. Daqueles que nos ensinam tanto e nos fazem crescer.

Hoje, dizem, é dia dos avós. Seria o dia deles.

Tenho a sorte de os meus filhos terem os meus pais vivos e poderem ainda disfrutar dos avós.

Eu pouco ou nada convivi com os meus.

Sinto pena, mas do fundo do coração, o sentimento nunca poderá ser tão forte quanto a dor pela ausência daqueles que foram meus segundos pais.

Perde-los foi a maior dor que senti até hoje e ontem foi mesmo insuportável recorda-la.
As pessoas não deveriam sofrer tanto quando chegam ao fim da viagem. Deveriam poder sair da carruagem em paz e tranquilas.

Cheguei à estação onde saio todos os dias para o trabalho e fui obrigada a voltar à realidade.

Mas das memórias que me assolaram ontem e dos momentos que vivi depois tomei consciência mais uma vez de que a vida é mesmo uma viagem.

Devemos faze-la da melhor maneira que sabemos e aproveitar o bom que ela nos trás.

Ela nos leva passageiros que para sempre nos farão falta, mas traz-nos outros que nos dão tudo aquilo que precisamos.

São estas as nossas pessoas. As que devemos cuidar e preservar. As que realmente importam.

Aquelas com as quais devemos partilhar os nossos silêncios.

Tu.



Ana Paula Ribeiro 

sexta-feira, 14 de julho de 2017

A linha da vida. A estação de saída.

Viajo há 44 anos.

Nasci em Angola, em casa, a carruagem onde os meus pais viviam na altura com o meu mano.
Sentiam a ansiedade de quem vai receber um novo passageiro.
O meu mano, com 9 anos, ouviu o choro e pensou ser uma galinha!
Ainda hoje o meu pai conta este episódio e me faz sorrir.

Nesta viagem que faço há tantos anos, passei já por tantas estações...
Umas fisicamente,
outras em pensamento.

Vivi já tantas emoções...
Umas boas,
outras menos boas.
Sejam de que tipo for,
das que arranham a alma e nos fazem sentir vivos.

Quando fazes a viagem da tua vida, as estações vão passando e tu, porque precisas não perder o ritmo desta vida louca, decides rapidamente se sais nesta ou naquela.
Muitas vezes nem dás pela decisão.
Apenas sais e quando dás por ti é seguir caminho e fazer dele o melhor que sabes e podes naquele momento.

E entras noutra... e segues caminho.

Às vezes, sentes mesmo que não estás na carruagem certa, mas a luz escura que vem do túnel assusta.
O desconhecido e a incerteza são bilhetes inválidos para quem precisa de coragem para avançar, passar a cancela... mas tem medo.

De repente... aquele momento.

Sentes-te a aproximar de uma estação que em tudo te leva a ter certezas.

Te acorda.
Te dá esperança.
Te conforta.
Te tranquiliza.
Te enche o peito.
Te faz vibrar.

As portas abrem...
É nesse momento que apareces tu.

À minha espera.
De sorriso desconcertante.
Olhar que me faz sentir certezas.

Cheguei!

Tenho 44 anos.

Fartei-me já de viajar por tantas estações nesta linha da vida.
E penso, é mesmo nesta estação que quero sair!

Não.
Penso melhor. Não vou sair

Não é medo...

convido-te a entrar e a fazer o resto da minha viagem comigo...


Ana Paula Ribeiro 

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Entre cores da vida...

Cheguei ao Campo Grande.

Encostei-me a esta coisa da publicidade...
Hoje senti-me cansada logo pela manhã ao acordar.

Divago o meu olhar pelo que me rodeia, refletindo e tentando perceber o porquê de tanto cansaço...
Reparo que estou entre duas linhas de cores fortes.

Cores que representam tanto quando se trata de caracterizar momentos.

Amarela.
Verde.

Alerta.
Esperança.

Estou a pensar que se tivesse que escolher... Que cor escolheria?
(neste momento os meus amigos sportinguistas estão todos prontos a opinar)

Prefiro viver com esperança ou estar alerta?

Sempre fui de acreditar nas pessoas.
Gostar de pessoas.
Ter esperança nelas.
Verde?

Sempre precisei dos meus momentos a sós.
Refletir sobre o que me rodeia.
Estar atenta.
Amarela?

Não é fácil conseguir um equilíbrio.

Mas a vida é uma espertalhona que nos faz percorrer gincanas e nos vai dando pistas...
se nos leva a bater no fundo, também nos faz vir à tona.

Momentos menos bons.
Momentos maravilhosos.
Pessoas que saem da tua vida.
Seres humanos fantásticos que ficam.
Vidas que ficam para trás.
Amores que nascem, dando força e a certeza de que tudo correrá bem.

Entretanto, no meio desta reflexão o amarelo deixou de ser tão forte...

Está a chegar a carruagem e vou seguir viagem na linha verde.

Afinal, a esperança sempre foi o tom mais forte no traço da minha caminhada...


Ana Paula Ribeiro

sexta-feira, 28 de abril de 2017

É assim, quando se tem um amigo muito especial

Sais do trabalho tarde...
cheia de vontade de te estenderes a comer umas pipocas e a ver um rol de episódios de uma qualquer série.
E pensas ...
ah! A esta hora há lugares sentados!
Nop ...
Perturbações na linha ... e em todas as pessoas que vão entaladas umas nas outras.
Não posso respirar ou corro o risco de tocar em alguma parte estranha do vizinho do lado.
E do da frente.
E do de trás.

Teimo em procurar o telemóvel no bolso e consigo puxa-lo com grande esforço e  cola-lo ao nariz, de forma a ler as novidades dos meus amigos online.

Eis que surge o meu fã n.º 1  e partilho com ele, a todo custo (bendito teclado especial), a minha dor.

- Oh pá! Estou tão entalada que pareço uma sardinha!!

Do outro lado, nada. Silêncio.

E pensei ... xiça que isto hoje corre mesmo mal ...
mas não!

O meu fã apenas se inspirou e dedicou-me a seguinte obra de arte:
No metro Apertada
como uma sardinha
Sob pressão de corpos alheios
Sufoco
A minha mente viaja
Perco-me Num Mundo tão grande
Livre
Abro os braços
Estico-me
Sinto o calor do Sol
Ouço uma campainha
A liberdade desvanece
A lata abre-se

Obrigada amigo!
Porque só tu me farias rir à gargalhada no meio de uma multidão que olhava para mim com ar estupefacto!

Um dia faremos a nossa parceria, publicando um livro.
A parceria dos fãs n.º 1 :)

Ana Paula Ribeiro com João Rodrigues

O deficientezinho https://www.facebook.com/apaularibeiro73/notes?lst=100000324707500%3A100000324707500%3A1501090319